Ubisoft quer dar uma lição na Valve?

January 11, 2019

Temperado com

Tem muita gente achando que a Ubisoft está sendo moralista, quando na realidade é tudo uma questão de? Isso mesmo: dinheiro.

 

Antes de começar deixa eu explicar algo que poucos conseguem compreender:

 

Você não ganha nada pagando mais caro para ter um jogo da Ubisoft no Steam ou na Epic Store. Você ainda precisa do Uplay.

 

 

Agora sim, voltando ao tópico em questão e que provavelmente é o contrário do que o título desta publicação sugere.

 

 

Um desenvolvedor/distribuidor precisa pagar uma taxa para qualquer loja de produtos digitais de terceiros. A maioria das lojas cobra 30% (Steam, App Store, Play Store, GOG.com), mas algumas optam por cobrar menos. Humble Bundle cobra 25% (15% custo de manutenção e 10% caridade). O site itch.io, por exemplo, trabalha com o conceito de "open revenue sharing" em que o desenvolvedor decide quanto ele quer DOAR para custos operacionais do site. Leia-se: a taxa real deles é ZERO.

 

Eu sei, você está se perguntando... Salsa, mas se o custo é zero, por que todo desenvolvedor ainda prefere pagar o Steam que custa 30%? Simples. Porque quanto mais barato for, mais gente vai entrar na loja digital, mais porcarias vão entrar e menor será o controle de qualidade dos produtos disponíveis.

 

Considere agora que a Epic Store cobra 12% (Epic) em vez de 30% (Steam) e de cara sem qualquer regrinha. Parece bem convidativo mesmo. No Steam, é possível reduzir a taxa para 25% depois de vender 10 milhões de dólares e a partir desse ponto é possível reduzir para 20% após 50 milhões de dólares. Mas não é possível ir abaixo disso. De uma certa forma, isso é um controle de qualidade por parte da Valve. Então, ninguém entraria na Epic Store porque você acabou de ler que mais barato significa qualidade inferior, certo? Sim, dez anos atrás, quando a loja Desura não tinha nenhum jogo de sucesso na sua loja e queria cobrar os mesmos 30% isso se provou uma ideia terrível (mas a situação era diferente porque eles não pagavam os desenvolvedores direito e por isso faliu). Mas e a Epic Games?

A Epic Games já tem a vantagem por ter o jogo mais jogado do planeta na loja deles: Fortnite. Exatamente como a Valve começou (Half-Life, Counter Strike e Team Fortress 2). Isso já força as pessoas a terem o inicializador desses jogos no computador delas, portanto estão sempre dentro da loja. O Steam quando começou tinha poucas opções de personalização e você era obrigado a ver a loja toda vez que iniciava o programa.

Agora imagine ver uma loja como a da Epic Games, agora no início, que está com poucos jogos. Você entra e vê de cara apenas 23 títulos (e por isso nem sequer tem uma barra de busca). Por outro lado, o Steam está saturado.

 Aposto que para um jogo de 2010, SMB esteja vendendo horrores de novo

 

O Steam conta com mais de 55 mil itens e 30 mil desses são jogos, fora os mais de 1300 jogos já removidos da loja. Está virando o Desura de tanta "basura" (com o perdão da piada) que entra sem curadoria adequada. Os jogos AAA (orçamento milionário) ficam ofuscados por tantos jogos indies e perdem visualização. Já que é impossível pagar para ter privilégios na loja e é preciso jogar nas mesmas regras dos outros produtos (depender de sucesso, vendas e marketing por fora).

Contratos de exclusividade não se forma de graça e nem por carinho. A própria Epic Games certamente teve que oferecer um benefício financeiro maior que apenas os 12% para convencer a Ubisoft (que não iria se entregar fácil). Pense que é um encontro amoroso e alguém vai ter que pagar o jantar.

Outro ponto que parece escapar a atenção de muitos (que lembram apenas do fiasco inicial). The Division cresceu bastante depois da atualização 1.5, foi o primeiro RPG de ação da Ubisoft, eles estavam testando o terreno. Expandiram com The Crew 2, Assassin's Creed Origins e Odyssey que também são RPGs de ação (sim, eu disse The Crew 2). Agora com uma noção maior, até mesmo depois das dicas de ex-funcionários da Blizzard, estão investindo pesado no The Division 2 já que desta vez estão com público alvo definido. Agora eles vendem para fãs de Diablo, Path of Exiles, Destiny, Borderlands, Grim Dawn, etc. A galera que curte repetição/acumulação ao contrário do marketing inicial que levou os "fãs" de Tom Clancy a acreditar que teriam realismo.

 

Resumindo: ninguém é amiguinho ou moralista em nenhuma indústria que depende de lucro. É sempre questão de dinheiro e chamar atenção do público com algo inesperado. Essa manobra da Ubisoft fez as duas coisas.

 

 

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